sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

COMO PODEMOS APROXIMAR A MUSICA À ESCOLA

Por: Carlos Alberto Mendes de Lima - Professor de Língua Inglesa




Fiquei bobo ao ver na internet um programa de TV no canal Ustream dois jovens tocando bateria a partir de um programa chamado Guittar Hero. Já conhecia este programa que é também um Game e tem se tornado uma febre entre os adolescentes. Meu primo de 14 anos nunca pisou os pés numa escola de musica e hoje toca guitarra graças a este recurso. Acho que interesse pelo jogo, comum entre os adolescentes, ajudou muito que ele a ficasse horas e horas na internet aprimorando sua performance como guitarrista Gamer . Alias, quanto se combate a internet e o jogo entre os adolescentes, parece que ninguém enxergar o lado bom destes recursos.

A internet alias veio para possibilitar o aprendizado autônomo. As interfaces que ela oferece ao seus usuários “dá uma bica “ em qualquer quadro negro. Mas aí vem uma pergunta: Onde vai o calor humano do contato direto pessoa – pessoa. Meus camaradas, a internet está longe de ser fria, muito pelo contrário ela é muito quente. As pessoas conhecem pessoas , conversam , trocam informações , jogam juntas via rede e até combinam baladas. Ali quem é tímido se revela. Cria suas páginas no Orkut falam de si e mostram suas fotos e vídeos prediletos. Afinal de contas, jovens gostam de viver em comunidades e não isolados já que andar em turma é e sempre será muito legal.

Bem, se a interface da internet é legal para aprender de forma autônoma então vamos acabar com esta história de escola. Muito pelo contrário, o que eu acho é esta instituição tem que existi porém tem que mudar urgentemente no sentido de buscar estratégias para proporcionar o mesmo prazer que os jogos e a internet oferecem aos seus usuários. Acho que para isto a escola precisa fazer uma reflexão muito séria sobre o seu olhar em relação ao adolescente de hoje. Pensar metodologias que conquiste o aluno . Acho que o educador poderia dar uma olhada atrás do muro e ver o que o jovem tem feito para aprender na busca do prazer pessoal. Talvez tenhamos que aprender com eles e assim encontrar uma fórmula que possa proporcionar aprendizado de conteúdo com mais prazer. É uma tarefa árdua e longa.

A música sempre foi o grande Tesão do adolescente. A música proporciona o mesmo prazer que o sexo, ou uma boa comida. Ela emociona , alegra e faz mexer o corpo. O cara que ouve se desliga, em parte, do planeta Terra. Agora se a musica é tão boa porque é pouco trabalhada na escola.? ‘Ah eu não sei cantar”, diria um professor. Mas e daí ! O videokê é que há de mais democrático em recurso para expressão, todo mundo canta e ninguém vaia ninguém.

Há muitos recursos hoje para o trabalho com o música. Em se tratando de tecnologia há um recurso que tenho utilizado e a galera adora. Trata-se do Audacity que apesar de ser conhecido como editor de áudio dá pra fazer um montão de coisas. Entre elas, tirar a voz do cantor e criar um playback e até produzir musicas. Numa aula de inglês trabalhei com RAP e em seguida ensinei os alunos a criar um Looping com trechos das musicas que trabalhei. A idéia é que eles criassem suas versões musicais utilizando as batidas das musicas que eles estavam produzindo. Foi muito legal, a molecada se envolveu , criou letras , cantaram e depois produziram suas próprias musicas. Foi as 4 aulas mais deliciosas que dei este ano.

Por Carlos Alberto Mendes de Lima - Educador

ESCOLAS MATAM A CRIATIVIDADE


MINHA REFLEXÃO

Acho que a escola está pouco preocupada com a criatividade do aluno. Falta preparo de muitos educadores de desenvolver em suas práticas o senso de sensibilidade. Nas escolas temos um celeiro de jovens criativos que não são percebidos e passam pela escola como um número na chamada. Ninguém olha nos olhos do outro durante a aula já que a única visão que o aluno tem é a nuca do colega e o quadro negro. Só podemos perceber potenciais quando nos relacionamos , quando olhamos no olho , deixamos falar ao invés de monopolizar a palavra. Encontro todos os dias grandes talentos nas escolas públicas. Muitos deles são mal compreendido porque falam demais. Alias, quando temos a oportunidade do aluno se expressar temos sempre aquele que mesmo que não quer ouvir , critica quem ouve e até da uma mãozinha para que cale a voz incomoda. Educadores que enxergam que o aprender e ouvir, copiar , decorar, fazer prova e tirar boas notas. Projetos de protagonismo infanto juvenil com Rádio Escolar, Teatro , música e outras ações educativa também auxilia na educação. Na minha opinião a escola está preste a explodi. Se não mudarmos nossas práticas e enxergar que o aluno é par e não número, então nunca teremos na escola um espaço privilegiado para encontrarmos bons talentos para sociedade do futuro.

prof Carlos A. Mendes Lima

domingo, 30 de novembro de 2008

Suprimir da programação infantil todos os anúncios comerciais: SUGESTÃO DE TEMA PARA TRABALHAR



Há algumas semanas, a TV Cultura de São Paulo anunciou que, a partir
de janeiro de 2009, vai suprimir da sua faixa de programação infantil,
de 11 horas diárias, todos os anúncios comerciais. A notícia é mais
importante do que a repercussão que obteve. Passou praticamente sem
ser notada, mas indica um movimento de grande significado. Por dois
motivos distintos.

O primeiro é deixar claro que, na visão da direção da emissora, as
crianças têm o direito de ser protegidas do assédio da mercadoria. A
Cultura passa a reconhecer, na prática, que os comerciais de TV podem
não ser exatamente benéficos ou educativos para seus telespectadores
mirins. Só por isso, seu gesto faria jus a um debate bem mais amplo.
Só por isso, poderia servir de inspiração para que outros meios
revissem suas políticas internas de publicidade para crianças.

O segundo motivo é que, agora, a emissora da Fundação Padre Anchieta
impõe um claro limite ao espaço dos anúncios. Com isso inverte a
tendência de expansão que eles vinham tendo em sua grade, uma
tendência tão marcante que em alguns horários, como no final da noite,
os intervalos da Cultura às vezes se parecem com intervalos de um
canal comercial comum. Ao agir para reverter o quadro, a direção da
emissora acerta mais do que alguns imaginam. A iniciativa será vital
para preservar nada menos que a saúde da própria identidade da TV
Cultura, que corria o risco de ser obscurecida pela luminescência dos
comerciais barulhentos.

Prática deturpadora

O aumento do número de anúncios não é simplesmente um fenômeno
quantitativo de filmetes que vão pipocando ao longo do dia. Se muito
numerosos e muito ''espaçosos'', os anúncios modificam a própria
qualidade da programação. Eles promovem profundas alterações de ordem
estética, porque tendem a ditar ao conteúdo editorial os parâmetros do
discurso publicitário. Isso, que ninguém duvide, afeta a imagem da
identidade da instituição. É isso que, por vezes, causa no
telespectador a sensação de que a tela da Cultura tem lá suas
semelhanças com a tela da Record ou do SBT. O andamento dos comerciais
determina a própria pulsação do que vai ao ar. É terrível, mas é assim
(ninguém veicula publicidade impunemente), e tanto é assim que, do
ponto de vista estético, as propagandas em excesso concorrem para
esmaecer, aos olhos do público, a própria razão de ser da Cultura.

Do ponto de vista ético, também há problemas sérios. Quando uma
emissora se converte em veículo publicitário, sua mercadoria não é o
seu tempo, como alguns supõem. O que ela vende ao anunciante não são
seus minutos e seus segundos, mas a atenção do seu telespectador.
Quando um canal público se submete a mercadejar com o olhar de sua
audiência, ingressa numa trilha cujos pedágios são altos. Começa a ter
de prestar contas ao mercado, ou seja, além de levar em conta
critérios de qualidade ou de relevância cultural, vê-se pressionado a
pôr no ar um conteúdo capaz de dar retorno comercial ao mercado. É
inevitável que isso contamine, ainda que lateralmente, as balizas de
condução de uma emissora pública. Portanto, também no plano ético há
embaraços que devem ser considerados.

E não é só. Ao lado das razões estéticas e éticas, existe outra ordem
de fatores para que as instituições que recebem verbas públicas se
afastem do ramo de vender espaço publicitário. São fatores, por assim
dizer, concorrenciais. Como contam com receitas do Estado, essas
instituições têm claras vantagens em relação às empresas privadas, que
não gozam do mesmo benefício e, em regra, dependem exclusivamente da
venda de anúncios para se sustentarem. Essas vantagens dão às
primeiras uma folga respeitável na competição por anunciantes. Com
seus custos parcialmente pagos pelos cofres estatais, elas têm, ao
menos em tese, a possibilidade de oferecer aos clientes descontos que
as outras não têm. Também por isso, enfim, não é recomendável que
emissoras públicas se dediquem à veiculação de anúncios. Se levada ao
extremo, essa prática viciaria o mercado e deturparia o próprio
sentido democrático da publicidade.

De onde brota a qualidade

Por tudo isso, a iniciativa da atual direção da TV Cultura de se
afastar ­ ao menos em parte ­ do mercado anunciante vem em boa hora. A
decisão abre as portas para uma caminhada na direção justa, ao longo
da qual será possível reduzir gradativamente o peso dos comerciais nas
receitas, na estratégia e na programação da casa. Nessa caminhada, a
emissora poderá concentrar-se ainda mais no veio principal de sua
razão de ser. Sua vocação não é ser uma boa pechincha para os
anunciantes, longe disso. Sua vocação tem que ver com independência e
mais independência. É da independência ­ em relação ao poder e em
relação ao mercado ­ que pode nascer sua qualidade.

Não há outro caminho para a televisão pública. Para formar cidadãos
críticos, promover o acesso de todos à cultura e informar com
objetividade ela precisa guardar sua independência. Se aderir ao
governo, cairá na armadilha do proselitismo político, da chapa-branca,
e se tornará ferramenta a serviço do poder ­ portanto, um desserviço à
sociedade. De outro lado, se se entregar à lógica publicitária, de
olho no dinheiro que ela oferece, passará, na verdade, a depender do
mercado ­ não apenas financeiramente, mas ideologicamente também. Com
isso uma de suas principais funções, de oferecer à sociedade uma
alternativa à comunicação comercial, termina por se perder
inteiramente.

Não é da publicidade que brota a qualidade da televisão pública. Que
essa ilusão não paire mais sobre os destinos da TV Cultura.


Fonte: O Estado de S.Paulo

Colaboração : Paula Jalassi